sábado, 19 de outubro de 2013

Você sabe o que é Informação Extrema? E Pensamento Extremo?


Bem vindo ao pensamento extremo! Ele vai além do pensamento sistêmico tão disseminado e estudado por Peter Senge em seu livro A Quinta Disciplina. Não basta você ter uma visão 360 graus, agora é preciso ser vidente, capaz de pensar rapidamente nos impactos das novas tecnologias da informação e comunicação nos negócios e principalmente poder tratar dados e informação relevantes, que produzam sinergia e façam com que um mais um seja igual a três.

Provavelmente um chaveiro continua fazendo cópia de chaves com uma máquina muito parecida com a qual surgiu  esse negócio, mas para quem escolheu atuar no universo corporativo, infelizmente ou felizmente, não dá para continuar fazendo o mesmo. 
    
         " (...)  geralmente  as  pessoas  insistem  em  ver  o  velho  no  novo"  (Rodchenko  apud Lavrentiev, 1996)

Há poucos dias em São Paulo, aconteceu o evento ECM Show 2013 cujo tema principal foi a era da informação extrema. Mal passamos pela era da informação, era do conhecimento e agora surge a era da informação extrema, ou era da governança extrema da informação.  Fico imaginando que nome se dará daqui a 10, 20 anos, ao volume de informações e às tecnologias/inovações disruptivas, que criam novos mercados.

Abrindo um parênteses, o termo Inovação Disruptiva  foi cunhado por Clayton Christensen, e diz respeito às mudanças não relacionadas a uma revolução ou evolução. Elas rompem barreiras, paradigmas, modelos mentais e criam necessidades que não existiam. O notebook é um exemplo de inovação disruptiva. Ele permitiu que as pessoas conseguissem ter mobilidade ao usar o computador.


Fechando o parênteses, John Mancini, presidente da Association for Information and Image Management (AIIM),  a principal associação de âmbito mundial sobre gestão da informação, participou virtualmente do evento ECM Show. Mancini explicou que o desafio do mercado é enxergar oportunidades além da complexidade. Sendo a informação e a tecnologia commodities, onde está o diferencial e a vantagem competitiva? Está nas competências e estratégias que você criar. Fazendo uma simples analogia com um prato de comida, o diferencial não está no arroz que é vendido no mercado, mas sim no prato que você é capaz de fazer com esse arroz. Sobre essa analogia tem um artigo bastante conhecido de Nicholas Carr, um dos gurus da Internet e bastante polêmico,  cujo título é "A tecnologia já não importa", de 2003. 

Como digerir e entender o impacto que essas ondas tecnológicas produzem sobre nós? Nós eu quero dizer gestores de áreas de negócio, gestores de informação, gestores de tecnologia da informação, CIOs e demais profissionais envolvidos em governar as novas organizações? Como lidar com as informações estruturadas e não-estruturadas, com sistemas de informação corporativos de todos os negócios que são capazes de serem gerados e com o legado que representa um passado, normalmente caótico e híbrido?  A informação extrema está associada à combinação desse cenário ao volume de informação não-estruturada em redes sociais e meios de comunicação emergentes como Wthatsapp, Hangout (Google), Webconferência etc.  O BigData também é um componente desse cenário, pois é a capacidade de capturar, analisar e utilizar os dados que nos permite interpretar e produzir uma quantidade inimaginável de informação.    

  Até onde vai a nossa capacidade de tomar decisões              acertadas nesse cenário?

Há quem diga que na verdade nada mudou, só aumentou o volume de informação, mudaram as tecnologias, mas a essência do desafio na gestão nas organizações permanece o mesmo. Eu diria que sim, o desafio sempre existirá, mas a complexidade desloca esse desafio de cenário. O planejamento estratégico decididamente hoje é elaborado quase que em tempo real. Lembram-se quando era feito de 2 em 2 anos, ou até mais? Você passa a ter de enxergar as possibilidades de outra forma, pois as informações que as empresas recebem e como elas serão processadas e reutilizadas fará toda a diferença. Um exemplo claro é o comportamento do usuário no uso de dispositivos móveis. O quanto isso afetará as ações de marketing, de TI, de comunicação e de governança? Essa resposta será dada pela prática do pensamento extremo, capaz de lidar com o volume de informação extrema.

Podemos brincar de vidente e enviar um email para nós mesmos no futuro através do http://www.futureme.org arriscando títulos para os temas do ECM Show 2020, por exemplo. Será que temos alguma chance de acertar? Muito difícil.

O perfil desse profissional certamente não existe ainda e imagino que ele se dê na combinação de algumas competências multidisciplinares. Pela experiência em projetos e pelo que vivencio em organizações, acho ser um erro atribuir a uma única área a responsabilidade por projetos complexos de tecnologia da informação e comunicação. Essa atitude fatalmente provoca um viés no projeto e os profissionais não foram formados à luz do pensamento sistêmico, que dirá extremo. Comitês e grupos interdisciplinares são bem vindos. Wikis são essenciais para organizar e compartilhar informação e documentação ao longo do projeto e a busca por melhores práticas pode reduzir muito o tempo e custo do projeto.


Para ler mais a respeito recomendo o slideshare "A empresa na era da informação extrema", de José Papo, evangelista da Amazon e excelente palestrante! Assisti uma palestra sua na PUCSP e fiquei encantada com sua capacidade em transformas o complexo em simples. Bem, não tão simples assim...rs.  A apresentação é muito rica em exemplos e vale conferir! 

E você o que acha desse assunto? Espero seus comentários!

10 comentários:

  1. Olá! Seja muito bem vindo. Comente, sugira, critique. Vamos debater o tema?

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    1. Renate, vejo que está cada vez mais difícil encontrar os limítrofes entre uma coisa e outra, a evolução tecnológica não nos dá esse luxo, é muita inovação, quem quiser e tiver "idade" tem que correr atrás, tudo se mistura, se transforma, se reinventa: conectividade, acessibilidade, operabilidade, interatividade, mobilidade, reciprocidade, cooperatividade, multidisciplinaridade... Valeu pelo post!

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    2. Olá Ana! De fato, tudo nos interessa, tudo é importante e tudo nos impacta com muita rapidez. Não há tempo para assimilação, as tecnologias se sucedem...uma dica é o foco. Focar em um tema e acompanhar sua evolução. É muito difícil para nós que somos apaixonados por muitos assuntos, mas profissionalmente precisamos buscar um rótulo e nos especializar. Grata pelo comentário!!

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  2. Um assunto bem interessante e quanta competência para ser esse profissional que já "vê" o futuro com antecedência. Fiquei um pouco zonza com tudo isso...rs

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  3. Pois é Margarida...precisamos nos reinventar permanentemente. Que bom que gostou! abs

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  4. Gostaria de saber como consigo um material sobre " era da informação extrema" como quem criou esse termo? algum artigo falando sobre isso ou livro ? ou mesmo a palestra do evento em São Paulo tem como ter acesso?

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    1. Olá Marcio! Pois é...também estou procurando saber se o termo foi cunhado por alguém...rs. Ainda são poucas as referências sobre o assunto e a busca do Google não passa de 2.000 itens. O melhor material q encontrei é o slideshare que recomendo no texto de José Papo da Amazon e os melhores livros vc verá no próprio slideshare. Sobre o evento, as palestras foram disponibilizadas apenas paras os participantes, mas no youtube vc encontra alguns vídeos, inclusive de John Mancini falando sobre o tema. abs

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    2. Entendi. Muito obrigado pelas informações e indicações!! vou procurar as informações !!

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  5. Renate, gostei muito do seu post e do seu blog. Tomei a liberdade de compartilhar esse post com minha turma de especialização em Gestão Estratégica da Informação: http://ufmggei2013.wordpress.com/2013/12/07/informacao-extrema/
    Obrigada.

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    1. Olá Iu Bicalho!
      Grata pela publicação no blog da turma! Já fui lá agradecer a publicação. Com certeza teremos um cross de conteúdos interessantes. Os interesses são os mesmos. abs

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