Para onde foi a Amazon?
O que será que aconteceu com Amazon que já tinha data certa para chegar no Brasil nesse ano e deu meia volta alegando não ter encontrado um espaço para implantar sua logística de entrega? Outros motivos parece que contribuíram para essa tomada de decisão.
Assistindo um vídeo com Walter Longo, profissional da área de marketing complexo para ser apresentado, ouvi duas frases que repito aqui, pois cabem no contexto deste post. "É preciso ter alma digital e não arma digital"e o paradigma mudou: "Antes jogávamos boliche, onde a bola ia numa só direção e hoje jogamos fliperama, pois não sabemos pra que lado vai a bola e em que velocidade ela volta". Estamos também migrando de um mundo linear onde os múltiplos de 2 eram 2, 4, 8...etc para um mundo exponencial onde depois do 2 pode vir o 32, o 64 ou qualquer outro número.
Modelo de negócio editorial
Esse momento reflete o desafio das organizações e explica em parte o que está acontecendo com a Amazon que não vem mais para o Brasil nesse ano. Nosso mercado editorial não está preparado para tantas mudanças e inovações. Ele ainda aposta no consumidor tradicional e está deitado em berço esplêndido com um lucro garantido nesse velho modelo de negócio. Mas em tempos de nova economia, de economia criativa, de inovação e redes sociais, será muito difícil esse modelo se sustentar por muito mais tempo.
A Amazon recuou, pois foi agressiva demais e o mercado editorial brasileiro não compactuou, mas nos EUA ela não cansa de inovar e acaba de lançar seriados digitais onde o consumidor paga muito pouco e vai lendo por capítulos que vão sendo escritos. Ou seja, o modelo de escrever e vender um livro, inclusive o modelo de emprestar um livro digital, está sendo reinventado.
Mercado Brasileiro
Outro fator que atrai empresas estrangeiras são os números. Além da Amazon, o Google e a Apple também querem vender livros digitais no Brasil. Segundo a Câmara Brasileira do Livro. hoje são cerca de 10.000 títulos de ebooks comparados com quase 1 milhão de títulos americanos. Nas maiores livrarias do Brasil as vendas de ebook vem crescendo a taxas de mais de 150% ao ano o que vem atraindo investidores.
E onde ganhamos com isso? Vamos ganhar em todos os sentidos, pois os e-books estão se popularizando rapidamente e o Google também está entrando nesse mercado. Os preços baixarão muito, pois o modelo permitirá a venda com escala (muito mais quantidade). É o efeito da cauda longa, livro de Chris Anderson, garantindo o sucesso da Amazon que ganha fôlego para inovar. Como a inovação é a alma da sustentabilidade não há dúvidas de que no próximo ano começaremos a escrever uma nova história sobre a inovação no mercado editorial brasileiro.
E as Bibliotecas?
Comprar e-book? Aumentar espaço? Rever modelo de empréstimo? Repensar tecnologia? Sim, tudo isso e mais um pouco. Com essas mudanças que virão em breve as bibliotecas físicas principalmente, terão de repensar suas estratégias, seus orçamentos e seus acervos. São tempos de muitos desafios, pois na certa ninguém sabe mais para onde vamos. A mudança passou a fazer parte de nosso cotidiano e o presente nada mais é que um milésimo de segundo. O restante do tempo é um passado que não nos dá dica e um futuro que promete muitas emoções.
Olá Renate gostei muito do post que aliás na minha forma simplista de ser , sinto que todos ganharão com essas inovações.O negócio é não resistir! ^.~
ResponderExcluirAbraços!
Legal Adriana! Pois é...mas até mudar esse paradigma, nós continuamos na era dino, mas com base na tendência e pressão do próprio mercado, não demora mais de um ano pra ganharmos com essa briga. O preço dos ebooks vem caindo, afinal qq tencologia vai se tornando uma commodity. abs!
ResponderExcluirÓtimo post. Aposto na coexistência. Tenho alunos que leem em e-books, mas dependendo preferem o livro físico. O oposto também vale. Tenho alguns leitores, nativos digitais, que preferem livros físicos. Temos de ser híbridos, estar preparados para atender a todos. Evitar o Fahrenheit 451. Uma curiosidade: a Livraria Cultura da Paulista vende cerca de 2 mil vinis por mês somente na loja do Conjunto Nacional. O vinil é uma tecnologia considerada ultrapassada.
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