sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A Inovação na Gestão da Informação

Nos dias 29 e 30 de outubro de 2013 aconteceu em SP o Fórum Executivo SBGC (1) que teve em seu tema central a pergunta: como transformar conhecimento em vantagem competitiva?

Tivemos apresentações de empresas como BrasilKirim, Petrobrás, Sebrae, Ecopetrol, Vale S.A e outras.
De todos os conteúdos apresentados, ficou claro que o maior desafio está nas pessoas, na gestão de pessoas e na combinação de competências pessoais e profissionais capazes de promover a sinergia necessária na organização para estruturar suas informações de forma a utilizá-las como vantagem competitiva e alinhamento estratégico.

Um excelente exemplo foi o caso do Sebrae Nacional, brilhantemente apresentado pelo bibliotecário coordenador Geraldo Magela. O Sebrae comprou a ferramenta de busca do Google, mas desenvolveu um vocabulário controlado para suas unidades de negócios e acoplou a inteligência do vocabulário no dicionário do Google. Com isso resolveu um dos problema que a web semântica vem tentando resolver que é o controle de sinonímia. Ao pesquisar educação a distância é possível recuperar também curso on line por serem sinônimos identificados através de um vocabulário controlado chamado Thesaurus (2). Esse exemplo mostra a importância da gestão da informação na gestão do conhecimento. Há uma perda significativa na busca quando sistemas de informação não tratam seus termos de forma relacionada. Esse trabalho é intelectual e exaustivo. Não basta comprar o Google, instalar em seu servidor e achar que a ferramenta passará a encontrar "tudo". Uma experiência é encontrar tudo sobre a palavra que se busca e outra experiência é encontrar a informação relevante sobre o tema que se deseja pesquisar. O exemplo acima citado prova isso. Pesquisar os conceitos de Precisão e Revocação ajuda a entender essa diferença.  Segundo Lancaster (3), Revocação é a capacidade de recuperar documentos úteis e Precisão é a capacidade de evitar documentos inúteis. O tratamento da informação conduz um sistema de informação para o caminho da precisão.

Outro desafio que fica claro é a gestão da informação não-estruturada. Aquela que se encontra nas pessoas, nas redes sociais, nos emails e são difíceis de serem estruturadas a partir de dados em um sistema de informação. Um email trata de vários assuntos e ainda contém anexos. Já o conhecimento tácito necessita de metodologias e sistematização para ser minimamente estruturado. Exemplos de metodologias são entrevistas, depoimentos, vídeos ou outros recursos que permitam inserir o conteúdo extraído em uma base de dados. Muito conhecimento está depositado em dicas de posts nas redes sociais. Como fazer para registrar e se apropriar desse conhecimento? 

Durante o evento tive o prazer de conhecer uma atriz que trabalha na Biolab com storytelling (4). A Danielle Salibian tem uma missão bastante inovadora como não poderia deixar de ser na Biolab, empresa que tem a inovação em seu DNA. A partir de suas competências como atriz a Danielle passa a ser uma facilitadora para interagir com os pesquisadores e buscar estruturar seus conhecimentos. Não é por coincidência que ela atua na área de informação. Muito interessante! Já tinha visto uma empresa de Engenharia utilizar atores em suas reuniões de diretoria, mas uma atriz com esse papel em uma organização creio ser uma tendência inovadora. Para conhecer um pouquinho mais sobre o tema tem um artigo recente na mídia bastante esclarecedor. http://www.jb.com.br/sociedade-aberta/noticias/2013/10/30/storytelling-um-jeito-divertido-de-treinar/

Vejam quantas competências novas estão surgindo. Muito difícil ficar em uma carreira linear em tempos de inovação e o caminho é um só: da informação não estruturada para dados formatados em uma base de dados e daí para a rede de informação estruturada compartilhada. 


A gestão do conhecimento não necessita estar em uma área ou em uma pessoa e sim na cultura, na estratégia e no alinhamento das ações voltadas ao mercado, produtos, serviços e inovação da organização.


Compreender qual é a informação necessária para a organização, saber onde buscá-la e como estruturá-la, são alguns dos desafios e competências necessárias além da gestão de pessoas e principalmente de talentos.


Era da Informação, Era da Economia da Informação, Era da Informação Extrema, Era da Sociedade Digital ou Era do Conhecimento...não importa o nome que se dê. Queiramos ou não, estamos todos nessa era e Conhecimento é o que todos buscam, concordam?


E ao pensar em uma imagem para esse post, me veio à mente o Cirque du Soleil. Como eles inovaram no conceito de circo buscando um nicho que não existia e criando um espetáculo admirado por todos. Ultrapassaram fronteiras culturais, religiosas, sociais, físicas...e criaram uma organização forte baseada na diversidade, em múltiplas competências e na inovação. Fica a inspiração!



(2) Thesaurus – Vocabulário Controlado de termos relacionados entre si.
(3) Lancaster - LANCASTER, F. W. Princípios da indexação. Indexação e resumos: teoria e prática. 2. ed. Brasília: Briquet de Lemos, 2004.
(4) Storytelling - Técnica que consiste em representar os conhecimentos em formato de história para transmitir em um novo conhecimento. 

3 comentários:

  1. Cara Renate, muito boas as suas considerações acerca do evento e do conhecimento. Interessante a sua afirmativa de que a gestão do conhecimento não necessita estar em uma área ou em uma pessoa e sim na cultura, na estratégia e no alinhamento das ações voltadas ao mercado, produtos, serviços e inovação da organização. Concordo plenamente com ela e penso que aí está a chave para fazer com que o conhecimento seja um diferencial competitivo nas Empresas.

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    1. Olá Janete! Que bom que vc se identificou. Por tudo que tenho visto, lido e ouvido é de fato a visão sistêmica do Conhecimento que trará esse tão desejado diferencial competitivo. Eu estou nesse momento ouvindo uma palestra da HSM com o Dr. Ozires Silva e ele está falando sobre Estratégia. Uma das questões que ele coloca é o otimismo aliado ao espírito de equipe. Isso é cultural e deve ser exaustivamente passado pela organização. Qualquer pesoa que tente de forma isolada terá muita dificuldade na implantação de novas ideias e projetos. abs

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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