Muito se lê
sobre dado, informação e conhecimento, mas no momento de desenvolver um sistema
de informação poucos refletem porque esses conceitos são apresentados nessa
ordem. Por que dado vem antes de informação? A resposta óbvia é porque
precisamos ter dados para obter informação, mas então por que muitas vezes temos a impressão de que não conseguimos
obter informação e muito menos produzir conhecimento, mesmo achando que temos
os dados necessários?
A obtenção
de conhecimento não é um processo automático, pois a informação necessita ser
internalizada individualmente para que o processo de combinação entre o
conhecimento que se possui seja combinado com as novas informações e assim seja
convertido em novos conhecimentos. Esse ciclo, representado na figura abaixo, foi identificado e amplamente
disseminado a partir da divulgação do chamado Modelo SECI, dos autores Nonaka e
Takeuchi no início dos anos 90. Socialização, Externalização, Combinação e
Internalização, são as etapas identificadas pelos autores para que o ciclo seja
virtuoso. Assim sendo, faz-se necessário valorizar e qualificar o dado e a
informação para a obtenção de novos conhecimentos.
Atuando como
profissional da informação no mercado corporativo há mais de 20 anos, acompanho
as iniciativas de organizações em estruturar suas informações produzidas e
recebidas, desenvolvendo inúmeros sistemas de informação com as mais diversas
tecnologias em uma tentativa de produzir informação e promover o ciclo do
conhecimento. A partir de um sistema de informação, o que se tem
de mais precioso é o dado. O dado qualificado produzirá uma informação
qualificada. É muito mais comum do que se imagina, observar
sistemas de informação com inúmeros metadados de entrada, sem que haja um
planejamento sobre o que fazer ou qual a importância daquele dado. O resultado será uma informação não qualificada e uma dificuldade na
obtenção de novos conhecimentos. Lemos e
ouvimos diversos executivos reconhecerem a importância da informação, mas não a
importância do dado.
Quando a
organização se dá conta e se pergunta por onde começar, a resposta normalmente
é uma área ou uma pessoa, mas nenhum desses caminhos promove a mudança cultural
necessária para implantar a Gestão do Conhecimento Organizacional. A gestão do
conhecimento a partir de uma pessoa na organização ou a partir de uma área por si
só, poderá implantar inúmeras iniciativas para captura, inovação,
compartilhamento e colaboração, mas para que haja um resultado que contribua de
forma efetiva para a gestão e tomada de decisão estratégica, o dado necessita
de toda a atenção.
Governança de dados no âmbito da área de TI e no desenvolvimento de sistemas são fundamentais para a gestão do conhecimento. A falta de foco na qualidade do dado, uma ferramenta de busca insuficiente, a não existência de pontos de acesso estratégicos aos dados, a falta de visão na elaboração de relatórios de gestão e a inexistência de alinhamento entre a estratégia da empresa e o desenvolvimento de sistemas de informação, são alguns dos principais aspectos que impedem a empresa de produzir informações estratégicas.
Governança de dados no âmbito da área de TI e no desenvolvimento de sistemas são fundamentais para a gestão do conhecimento. A falta de foco na qualidade do dado, uma ferramenta de busca insuficiente, a não existência de pontos de acesso estratégicos aos dados, a falta de visão na elaboração de relatórios de gestão e a inexistência de alinhamento entre a estratégia da empresa e o desenvolvimento de sistemas de informação, são alguns dos principais aspectos que impedem a empresa de produzir informações estratégicas.
Um exemplo é a falta de preocupação com a recuperação da informação. Dificilmente o gestor se preocupa com a interface de busca, momento crítico de um sistema de informação, e ela acaba sendo a responsável por impedir o acesso à informação, pois não dispõe de campos suficientes para a busca e muito menos recursos de combinação de termos.
Muitas vezes
a empresa busca uma tecnologia de ponta, acreditando que comprou a solução, mas
a solução virá dos colaboradores com visão de negócio, capazes de olhar para as
necessidades informacionais de forma sistêmica e identificar de forma
inteligente quais são os dados necessários para se construir esse caminho. Aí
sim podemos afirmar que Gestão do Conhecimento é um processo que se constrói a
partir da organização que souber
transformar dado em informação. Essa é a lição de casa. Volte-se primeiro para
dentro da organização, para o sentido que os dados podem ter para seus negócios
e suas estratégias. Preocupe-se com a governança de dados e só aí comece a
pensar em um sistema capaz de organizá-los de forma inteligente. A informação
de qualidade será o resultado desse trabalho e um círculo virtuoso começará a
surgir e contribuir para as ações voltadas para a gestão do conhecimento.

Nenhum comentário:
Postar um comentário