sábado, 12 de outubro de 2013

Gestão do conhecimento organizacional: é preciso fazer a lição de casa


Muito se lê sobre dado, informação e conhecimento, mas no momento de desenvolver um sistema de informação poucos refletem porque esses conceitos são apresentados nessa ordem. Por que dado vem antes de informação? A resposta óbvia é porque precisamos ter dados para obter informação, mas ​então por que muitas vezes temos a impressão de que não conseguimos obter informação e muito menos produzir conhecimento, mesmo achando que temos os dados necessários?​
A obtenção de conhecimento não é um processo automático, pois a informação necessita ser internalizada individualmente para que o processo de combinação entre o conhecimento que se possui seja combinado com as novas informações e assim seja convertido em novos conhecimentos. Esse ciclo, representado na figura abaixo, foi identificado e amplamente disseminado a partir da divulgação do chamado Modelo SECI, dos autores Nonaka e Takeuchi no início dos anos 90. Socialização, Externalização, Combinação e Internalização, são as etapas identificadas pelos autores para que o ciclo seja virtuoso. Assim sendo, faz-se necessário valorizar e qualificar o dado e a informação para a obtenção de novos conhecimentos.





Atuando como profissional da informação no mercado corporativo há mais de 20 anos, acompanho as iniciativas de organizações em estruturar suas informações produzidas e recebidas, desenvolvendo inúmeros sistemas de informação com as mais diversas tecnologias em uma tentativa de produzir informação e promover o ciclo do conhecimento. A partir de um sistema de informação, o que se tem de mais precioso é o dado. O dado qualificado produzirá uma informação qualificada. É muito mais comum do que se imagina, observar sistemas de informação com inúmeros metadados de entrada, sem que haja um planejamento sobre o que fazer ou qual a importância daquele dado.​ O resultado será uma informação não qualificada e uma dificuldade na obtenção de novos conhecimentos. Lemos e ouvimos diversos executivos reconhecerem a importância da informação, mas não a importância do dado.

Quando a organização se dá conta e se pergunta por onde começar, a resposta normalmente é uma área ou uma pessoa, mas nenhum desses caminhos promove a mudança cultural necessária para implantar a Gestão do Conhecimento Organizacional. A gestão do conhecimento a partir de uma pessoa na organização ou a partir de uma área por si só, poderá implantar inúmeras iniciativas para captura, inovação, compartilhamento e colaboração, mas para que haja um resultado que contribua de forma efetiva para a gestão e tomada de decisão estratégica, o dado necessita de toda a atenção.

Governança de dados  no âmbito da área de TI e no desenvolvimento de sistemas são fundamentais para a gestão do conhecimento. A falta de foco na qualidade do dado, uma ferramenta de busca insuficiente, a não existência de pontos de acesso estratégicos aos dados, a falta de visão na elaboração de relatórios de gestão e a inexistência de alinhamento entre a estratégia da empresa e o desenvolvimento de sistemas de informação, são alguns dos principais aspectos que impedem a empresa de produzir informações estratégicas.

Um exemplo é a falta de preocupação com a recuperação da informação. Dificilmente o gestor se preocupa com a interface de busca, momento crítico de um sistema de informação, e ela acaba sendo a responsável por impedir o acesso à informação, pois não dispõe de campos suficientes para a busca e muito menos recursos de combinação de termos.

Muitas vezes a empresa busca uma tecnologia de ponta, acreditando que comprou a solução, mas a solução virá dos colaboradores com visão de negócio, capazes de olhar para as necessidades informacionais de forma sistêmica e identificar de forma inteligente quais são os dados necessários para se construir esse caminho. Aí sim podemos afirmar que Gestão do Conhecimento é um processo que se constrói a partir da  organização que souber transformar dado em informação. Essa é a lição de casa. Volte-se primeiro para dentro da organização, para o sentido que os dados podem ter para seus negócios e suas estratégias. Preocupe-se com a governança de dados e só aí comece a pensar em um sistema capaz de organizá-los de forma inteligente. A informação de qualidade será o resultado desse trabalho e um círculo virtuoso começará a surgir e contribuir para as ações voltadas para a gestão do conhecimento.


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